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Qual é Aquele Som? Bem-vindo ao Ecstatic Dance Estrela, Lisboa

23 de fevereiro de 2026
5 min de leitura
Uma fotografia de grande angular de um grande salão escuro em Lisboa repleto de cerca de 200 pessoas dançando descalços e movendo-se livremente durante uma sessão de Ecstatic Dance.

Já te perguntaste de onde vem aquela música alta e louca que ouves em Estrela a cada terceiro sábado do mês? Se alguma vez passaste pelo Liceu Pedro Nunes e sentiste um pulso rítmico único a chamar-te, descobriste uma das comunidades mais vibrantes no coração de Lisboa: Ecstatic Dance Lisboa.

Fui lá recentemente com uma amiga, e depois de uma tarde de suor, lágrimas e movimento puro, senti novamente a magia da dança.

A Vibe e o Espaço

Um dos maiores pontos positivos deste evento é a localização na Escola Pedro Nunes, bem perto do Parque da Estrela. Fica muito bem localizado e é só um passeio curto do Metro Rato, o que facilita chegar de qualquer lugar da cidade.

Cheguei cedo e encontrei um espaço lindamente organizado. O horário é pensado para te instalares e comeres algo antes do evento começar. Podias comprar bolos saudáveis, cacau e outros snacks, mas nós seguimos a sugestão dos organizadores e levámos fruta e chá de casa.

As Regras da Jornada

Com cerca de 180 pessoas na sala, a energia era elétrica. René, uma das organizadoras, abriu a noite com uma introdução bilingue. O seu principal conselho? Não esperes nada. Ela explicou que o DJ cria uma "onda" única de cada vez, portanto o set pode variar bastante de mês para mês. Ela também apresentou as regras fundamentais que fazem disto um espaço seguro:

  • Sem Falar: O chão de dança é para movimento, não para conversa.
  • Sem Telemóveis/Fotografia: Esta é a minha regra favorita—permite que todos estejam 100% presentes sem se preocupar em ser filmados.
  • Sem Sapatos: Descalço é o caminho. Ou com meias. Na verdade, tenho bolhas nos dedos dos pés que talvez tivesse evitado com meias anti-derrapantes.
  • Sem Álcool ou Drogas: O "high" vem apenas da música e do movimento.

Ficar "Estranho" com a Marta

A noite começou com um aquecimento guiado pela facilitadora, Marta ArteCura. Adorei esta parte. Acabei por dançar com uma rapariga que estava mais perto de mim—uma completa estranha—e foi uma experiência fantástica. A Marta encorajou-nos a "surpreender os nossos parceiros" e simplesmente "ser estranho."

Outra parte do exercício era mover-se por todo o espaço. Enquanto a multidão maioritariamente caminhava em círculos, eu levei as instruções a sério. Encontrei-me a correr pela sala em direções "malucas", desviando-me dos dançarinos com um sorriso e deixando que o ritmo marcasse o meu passo. Foi incrivelmente libertador, senti-me como uma criança brincalhona.

A "Onda": De Techno a Poesia Clássica

Quando DJ Damballah assumiu, a "onda" começou a construir-se. Este set era um pouco mais experimental do que aquilo a que estava habituado, apresentando até faixas intricadas de artistas como Stephan Bodzin. Transicionou de batidas profundas e terrenas para um êxtase de alta energia que fez toda a sala vibrar.

Mas foi o esfriamento que realmente me tocou. O DJ tocou um conjunto clássico bonito, entrelaçado com poemas lindíssimos em francês e português. A combinação do movimento e as palavras assustadoramente bonitas foi tão bruta que realmente libertei algumas lágrimas. Não era tristeza; era apenas uma libertação emocional pura.

Para os falantes de português entre nós, gostaria de partilhar o poema "Quando Vier a Primavera" de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) que ouvimos durante o nosso esfriamento. É uma peça poderosa que claramente nos tocou a muitos...

"Quando vier a primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. (...)"

Pensamentos Finais: O Repouso

Terminámos com um círculo de encerramento, que é a forma perfeita de "aterrar" de volta à realidade depois de uma viagem tão intensa. Saí sentindo-me feliz, energizado e positivo.

Pontos Positivos e Negativos do Ecstatic Dance em Estrela, Lisboa

Pontos Positivos:

  • Localização central em Lisboa absolutamente incrível com muito espaço e luz.
  • Organizacao impecável.
  • A política "sem telemóvel" cria uma rara sensação de liberdade e presença.

Pontos Negativos:

  • A música pode ser bem experimental. A minha amiga achou que algumas partes da "onda" eram um pouco difíceis de acompanhar em comparação com sets mais tradicionais.

Junta-te ao Próximo!

Se estás à procura de uma maneira de te livrar da semana e conectar contigo mesmo, tens de o experimentar. Quer sejas um "profissional" ou nunca tenhas dançado em público, há um espaço para ti no círculo.

Cada vez que vou a um Ecstatic Dance, questiono-me porque é que as pessoas vão a discotecas ;) Vamos dançar na luz, descalços, sóbrios, presentes e conectados uns com os outros!

Pronto para dançar? Arranja os teus bilhetes para o próximo Ecstatic Dance em Estrela e vejo-te no chão!